Acompanhamento Médico Pós Cirurgia.

23 fevereiro 2012

Olá pessoal!! Hoje venho falar sobre este tema tão importante, porém muitas vezes esquecido!! Quem sugeriu foi a leitora Cleide Morais, já há alguns dias via facebook.
A Cleide já me relatou algumas vezes, que tem tido algumas dificuldades com a alimentação após a cirurgia. Que anda nervosa, sem paciência, que as vezes "explode" com facilidade...
O fato é que eu me identifico muito com alguns pontos do seu relato, então resolvi falar mais uma vez, baseada no que eu mesma vivencio, ou seja, minha experiência pessoal....
"Bem Cleide, com relação ao acompanhamento com a equipe, como já te disse, eu atribuo também a ele, o sucesso da cirurgia a longo prazo.
Todo o processo pré operatório, é muito desgastante, e costumo dizer que este desgaste, acontece em um período que em nada nos favorece, pois estamos no auge da obesidade.
É muito fácil correr atrás de exames, consultas, laudos, quando não se tem muitos quilos acima do peso, fazendo o corpo inteiro doer, massacrando cada junta, te causando falta de ar e constrangimentos.
Mas quando se tem 30, 40, 60, ou sabe-se lá quantos quilos sobrecarregando o corpo, isso se torna uma tarefa árdua! Por várias vezes pensei em desistir, mas na minha cabeça martelava sempre uma frase que parece boba, mas que é a mais pura realidade... "Só não consegue quem desiste!!  "Pensando desta forma, fui dando um passo após o outro e consegui realizar a cirurgia, que era meu sonho.
Eu estava preparada para ela. minha cabeça estava muito bem preparada, então, por mais problemas que tenha tido no pós operatório, foi de certa forma, "fácil" passar por todos eles...
Mas isso não acontece com todos,  sei muito bem como fica nossa cabeça, quando acordamos da anestesia, com um corte no meio da barriga (quem faz videolaparoscopia sente o mesmo) e tendo que reaprender coisas básicas para a nossa sobrevivência, como por exemplo mastigar!!! Tarefa simples e boba não é mesmo???
Nada disso!!!!!!! Para qualquer gastroplastizado, essa é talvez a tarefa mais importante!!!
Meu médico me disse na primeira consulta , que quem não tem bons dentes, não deve fazer essa cirurgia. (nunca mais me esqueci).
Parece bobagem, mas é uma mudança muito grande, pois na maioria das vezes, antes de operar, nem mastigávamos.Vulgarmente falando, matávamos na língua e engolíamos, essa é a verdade.Então além desta mudança, o emocional já está muito abalado, a auto estima machucada, (quando ainda existe), e ainda  vem os outros sintomas. A primeira sensação que tive quando minha alimentação normal foi liberada, foi de que estava perdida no meio do deserto, pois o médico disse que eu poderia comer de tudo, e eu não conseguia de fato comer nada, pois me sentia muito mal com alguns alimentos e tinha medo de ingerir os outros.Nesta fase o acompanhamento pra mim foi fundamental, pois conversando com a nutricionista, comecei a inserir aos poucos na minha alimentação, todos os grupos de alimentos.Aprendi a priorizar os que mais favorecem meu corpo e a comer somente de vez em quando ou de vez em nunca, os que em nada me acrescentam.O emocional também conta muito, pois é necessário aprender a lidar com as mudanças.Muitas pessoas, como é o meu caso, mesmo que a base de anfetaminas, (remédios para emagrecer/inibidores de apetite), já estiveram magras e almejam um corpo que talvez já tenham tido.Outras, sempre foram gordinhas e chegaram ao extremo da obesidade sem saber o que era de fato emagrecer, então quando se deparam com sua nova realidade, se não tiverem um apoio, entram em parafusos!!Pesa muita coisa gente... O corpo que vai tomando forma, as roupas que se tem, já estão largas e caindo, mas as das lojas ainda não entram... Vizinho que fica te observando chegar em casa, e na sua cabeça, você jura que ele está questionando o motivo de você ter operado e continuar gorda (acham que vamos descer  magros da mesa cirurgia), maridos que arranjam um ciúme descabido, ansiedade por resultados rápidos... Tudo isso vira um turbilhão na cabeça e como estamos sensíveis o estrago pode ser grande.Enfim, são muitos os fatores que nos abalam depois da cirurgia.Se o paciente após o procedimento, não procura nenhum apoio, não se relaciona com outros operados, não conversa, não se informa, não tira duvidas (não vale dizer que nunca teve dúvida pois não vou mesmo acreditar), as chances de ter problemas emocionais, de ficar mais ansioso, de transferir a compulsão pelo alimento, para outra ainda pior, é muito grande, mas algumas pessoas insistem em achar que é bobagem.O nervosismo, a irritabilidade, (a vontade de matar o primeiro que faz uma pergunta idiota),por mais que pareça não ter um motivo que justifique, tem sim, e hoje sei que a alimentação influencia até nisso, pois o organismo precisa de todos os nutrientes e se o deixamos com alguma deficiência, ele dá seus sinais, até que corrijamos o que está errado! O problema é que nem sempre conseguimos descobrir isso sozinhos, precisamos fazer exames, muitas vezes tomar alguma vitamina, e isso só é possível com a ajuda dos profissionais!!Alguns cirurgiões não estão nem aí, fazem seu trabalho, que é reduzir o estômago e se fisicamente está tudo bem, pra eles é o bastante!! Graças a Deus não é o caso do meu, que acompanha seus pacientes enquanto é necessário, sem estipular um tempo pós cirurgia, e acredito que isso, no meu caso, fez toda a diferença!!"
Cleide querida, tentei ser bem clara, direta  e objetiva, espero que você goste do texto, que ele possa de alguma forma te ajudar e no que precisar, pode contar comigo viu!!!
Galera, a promoção Top Comentarista continua, a camisa do projeto é linda!!! Pra participar é só seguir e comentar!!!
No próximo post, falarei sobre  Obesidade X Ansiedade, sugerido pela leitora Vivi Ramos.
Bjos e boa quinta feira a todos!!



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