Alguém aí já quebrou a cadeira??

12 agosto 2012

Almocinho de ontem - João e eu!
Quem me vê hoje, pesando menos de cinquenta quilos, com esse corpo magrinho e não conhece a minha história, não é capaz de imaginar, tudo o que eu já passei por causa da obesidade.
Esta doença, que muitas vezes é tratada como preguiça e mero desleixe, age de forma silenciosa e covarde.
Eu tentei de todas as formas me livrar dela, pois nunca aceitei minha condição.
Era como se meu intelecto, aquilo que sou de verdade, estivesse preso dentro de um corpo, em um bolo de massa, que não tinha nada a ver comigo.
Eu me sentia presa dentro do corpo errado.
Tive problemas com o espelho, pois me sentia um fantasma, pensava que não era possível que aquela imagem refletida, fosse exatamente o que eu era, pois não era daquela forma que eu me via, que pensava em mim.
Parei de sair de casa.
Me enclausurei por muito tempo e meu mundinho particular, passou a ser meu único mundo.
Não considero que tinha uma vida.
Eu era uma pessoa com medo de objetos...
Eu caí várias vezes da cadeira de plástico.
Na igreja, já colocavam para mim, duas!! Uma sobre a outra para reforçar, e eu chorava de constrangimento. Parei de ir aos cultos e de me relacionar com os irmãos.
Meu marido, embora também obeso, sempre fazia algumas brincadeiras e piadinhas em relação ao meu peso, e mesmo sabendo que não era para ofender, mas sim para descontrair, me sentia ferida e magoada. Passei a não mais permitir que me tocasse, que olhasse para mim...
Fiquei presa na poltrona do cinema, meu filho precisou me ajudar a sair e nunca mais quis passar perto daquele local.
Já caí na rua e literalmente rolei no asfalto, já caí da rede na minha varanda e já tive que ouvir que a culpa era minha, quando a porta do carro entalou no meio fio ao ser aberta, por ser eu, pesada demais....
Deixei de trabalhar e até de estudar...
Hoje tenho uma enorme cicatriz no meio da minha barriga, uma cicatriz cheia de histórias, cheia de segredos e me perguntam se me arrependo..
Tenho que me arrepender de que? De ter lutado pela minha vida, sem jamais desistir?
De ter priorizado minha saúde e escolhido ser feliz?
Ou será que devo me arrepender de ter dado ao meu filho, a mãe que ele nunca teve e jamais teria, se eu continuasse como estava??
Não adianta gente, a obesidade quando atinge um certo estágio, nos tira até mesmo a capacidade de lutar. Assumir que não consegue mais sozinho e que precisa de ajuda, não é vergonha.
Vergonhoso sim, é desistir de si mesmo, é colar o traseiro na zona de conforto e se sentir a vítima...
Em algumas situações, só somos vítimas de nós mesmos, da nossa autopiedade...
Vivi coisas durante a minha vida inteira, que nunca mais quero viver, nem em mil anos.
Em contrapartida, tive momentos nestes dezenove meses de gastroplastia, que nem se eu vivesse estes mesmos mil anos, seria capaz de esquecer...
A vida é isso gente, eu nunca mais quero ser apontada na rua como a dona que quebrou a cadeira na igreja.
Quero ser apontada na rua, como a mulher que correu atrás dos seus sonhos e que conseguiu com muito esforço, realizar cada um deles...
Quero viver um dia de cada vez, e dar o meu melhor, para ser feliz em todos eles, não importa quantos sejam...
 Bom domingo de dia dos pais a todos vocês, e não se esqueçam das escolhas conscientes!!
Bjosssss
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