Hipoglicemias/ Pancreatectomia/ Nesidioblastose

10 setembro 2012



Ei pessoal, tudo bem com vocês? Não vou enrolar muito, prefiro ir direto ao assunto do título, pois este post tem tudo pra ficar gigante.

Bom, muitas pessoas me pediram para explicar em detalhes o motivo da minha última cirurgia, mas como foi um procedimento mais complexo, que me deixou muito vulnerável, até mesmo emocionalmente, estava protelando em falar sobre o assunto.
Porém não achei justo com algumas leitoras que me questionaram e que sei que se preocupam realmente comigo.
Explicar só a elas em particular poderia ser uma saída, mas deixaria o arquivo incompleto, o que desta vez, não seria justo com as pessoas que usam minha página como fonte de pesquisa e informação.
Tentarei resumir ao máximo e a medida que as dúvidas forem aparecendo podem me questionar nos comentários.
Não é segredo nem novidade para ninguém que me lê, que após minha cirurgia de redução de estômago apresentei uma complicação pouco comum.
Como sei que muitas pessoas se preocupam com os problemas do pós operatório, sempre fiz questão de enfatizar que o que me aconteceu é algo bem raro; ninguém precisa ter receio de operar e ter o mesmo problema que eu, ele é raro a nível mundo, podem ficar tranquilos!!
Bom, no meu terceiro mês de cirurgia, quando tudo corria bem, o emagrecimento ia de vento em polpa e a auto estima estava flutuando, acordei certo dia me sentindo estranha, com taquicardia, tremores pelo corpo, um calor fora do normal *(leia-se escorrendo de suor) e uma necessidade de consumir açúcar que não parecia ser deste mundo.
Como o açúcar parecia melhorar aqueles sintomas, mergulhei de cabeça em balas doces, chocolates e tudo o que tinha na geladeira.
Aquilo aconteceu por várias vezes durante o dia e chegou a um ponto em que não pude fazer nada. Desmaiei no trabalho.
Após receber os primeiros socorros na empresa e fazer alguns exames de sangue, já no pronto atendimento do meu plano de saúde, constataram que eu havia tido uma crise de hipoglicemia.
Levei os exames para que meu cirurgião avaliasse, e ele, confirmando que era realmente hipoglicemia, pediu exames mais complexos.
Me encaminhou para o acompanhamento nutricional e então tentou de todas as formas reverter aquele quadro.
Mesmo com seu acompanhamento e com as orientações da nutricionista, as crises foram ficando cada vez mais constantes.
O normal em uma pessoa não diabética, que é meu caso, é apresentar glicemia entre 60 e 99, claro que dependendo da situação em que for feita a medição, poderá apresentar variações, porém a minha ficava muito abaixo do nível mínimo durante as crises.
No início chegava a 40, com o tempo 30.... 20.......

Bom, o fato é que meu organismo estava cada vez mais tolerante aos baixos níveis e estes ficavam cada vez mais baixos. Por várias vezes desmaiei!
A menor medição  foi 7, mas graças a Deus não foi na rua, nem sozinha, mas sim dentro de uma unidade de atendimento do laboratório que fazia os exames e sob supervisão médica, caso contrário, talvez não fosse eu, a contar isso a vocês agora.
O fato é que o doutor resolveu fazer uma intervenção cirúrgica quando eu já estava com um ano de gastroplastia, para tentar colocar fim naquilo.
Como não funcionou, e a situação foi ficando cada vez mais grave e preocupante, ele me disse que teria que partir para uma medida mais drástica, que seria a retirada parcial do meu pâncreas, já que era ele quem estava produzindo insulina em excesso.

Relutei muito. Procrastinei de todas as formas e enquanto pude, mas chegou um momento em que o Dr Hêmerson me disse que só me operaria, quando o incômodo causado pelas minhas crises de hipoglicemia, fosse maior do que a minha capacidade de conviver com elas...

Não demorou muito para que este dia chegasse, já não suportava mais viver daquele jeito.
Hipoglicemia é falta de açúcar no sangue, em níveis tão baixos quanto os que eu vinha apresentando, a falta de oxigenação no cérebro é certa, os danos aos neurônios também...
Já estava evitando sair de casa sozinha, dirigir? Só de picardia e arriscando, não queria mais receber ninguém em casa, pois meu humor oscilava entre mais ou menos e péssimo e comia todas as balas do mundo.

A cirurgia foi desmarcada várias vezes, por problemas variados, a última  foi porque tive hipoglicemia e para não desmaiar, tomei um suco meia hora antes,  ela foi cancelada dentro do bloco, quando eu já estava pronta.(não fiz de propósito, quem já teve hipoglicemia sabe bem o que é).
Este procedimento era algo que eu não queria fazer, que tinha muito medo, mas que precisava o quanto antes, então acabei me conformando.

Como tudo tem seu tempo, a data chegou e eu operei.

Foi retirado 70% do meu pâncreas, que foi enviado para análise. Fiquei 4 dias no CTI, mais 6 no quarto sob cuidados e o restante vocês já sabem.
A análise do pâncreas confirmou o diagnóstico que o doutor já sabia e já havia me dito. Tenho Nesidioblastose, um fenômeno raro, que vocês podem entender um pouco melhor, lendo aqui.

Bom gente, o texto não ficou claro como eu gostaria, mas de verdade, por mais que eu quisesse escrever sobre isso já houvesse um bom tempo, ainda não me sinto completamente à vontade para falar no assunto.

Sei que várias perguntas irão surgir, três delas já deixarei respondidas..

Lu, você se arrepende de ter feito a cirurgia bariátrica?? Afinal tudo começou depois dela!!
* NÃO!! Jamais me  arrependi!! Nem por um dia, nem por um segundo, faria TUDO novamente!!!A hipoglicemia até poderia ser a pior coisa do mundo, mas não é, sabem porquê?? Porque ser obesa me fez sofrer mais!!!
Lu se você soubesse que teria este problema, teria operado?         * Seria impossível saber antes,sem contar que nenhum médico me operaria, mas sim, teria! Já havia tentado de todas as formas e não consegui emagrecer.     Uma coisa é certa e clara pra mim. Convivo muito melhor com as hipoglicemias do que convivi a vida inteira com a obesidade. Ninguém me humilha nem discrimina por ser hipoglicêmica, se eu não contar ninguém sabe. Já sendo gorda.............
Lu, a cirurgia do pâncreas resolveu seu problema??
* Não! Para minha frustração e também do meu médico, a quem aliás só tenho a agradecer, por todo o cuidado comigo, a cirurgia não resolveu e ainda tenho hipoglicemias, mas agora pelo menos temos um diagnóstico confirmado e como tratar.... 
* Pessoal, como eu disse no início, esta postagem foi para esclarecer dúvidas de pessoas que realmente considero e também dos leitores que buscam aqui, informações sérias e confiáveis sobre a cirurgia de redução de estômago.

Irá também alimentar a curiosidade de meia dúzia de desocupados que só vem aqui, para saber as novidades sobre a minha vida, mas pra estes eu não estou nem aí!!!

O que me aconteceu pode acontecer com qualquer um? 
Embora seja algo raríssimo, é um risco que se corre, então reforço o que eu sempre digo.

Só opte pela redução de estômago, se você já tentou de tudo para emagrecer e não obteve sucesso, pois a cirurgia é uma ferramenta, que como qualquer outra não trabalha sozinha, precisa do seu empenho e maturidade, de responsabilidade para assumir todos os riscos também, pois sem isso, o sucesso a longo prazo não irá acontecer!!"

Bjo grande!!!

Ps.. Querida Val (Sleevada), se o post não tiver esclarecido suas principais dúvidas, me diga que te respondo em particular viu!!! bjosss

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