Sou eu assim...

21 setembro 2012


Houve um tempo em que eu não tinha nada para vestir...
Eu até tinha dinheiro para comprar, mas nada me servia...
Entrar em lojas era algo desesperador.
Os vendedores não me tratavam bem, o trabalho deles seria fisicamente dobrado e financeiramente nulo ao me atenderem.
Eu experimentaria muitas peças com toda certeza e provavelmente não levaria nada no final.
Entrar em um provador era um martírio, pois eram muito pequenos para que comportassem com conforto, meu corpo tão grande e desproporcional.
Senti na pele uma dor que não consigo descrever.
A doença que me acometia, não é ainda hoje, reconhecida e respeitada como tantas outras.
Uma doença cruel que mata aos poucos, que mata em silêncio, que compromete todo o corpo, todos os órgãos, que mutila emocionalmente aqueles a quem vitima.
Eu sabia que precisava de ajuda.
Durante um tempo recuei.
Me recusei a admitir algo que verdadeiramente me tirava o chão e o prazer de viver.
Cheguei a um ponto em que não vivia, só olhava a vida passar.
Envelheci alguns anos, amadureci outros tantos, mas não abri mão de mim.
A campainha da percepção tocou bem fundo, me fazendo despertar para a vida.
Isso não aconteceu à força.
Não foi a vontade dos outros que fez com que acontecesse o estalo.
Partiu de mim, da vontade que sempre tive de alçar altos e longos voos.
No fundo, meu coração me dizia que eu ainda seria muito feliz, mas eu sabia que para que isso acontecesse precisaria me posicionar, precisaria ter uma atitude real.
Precisaria crescer, precisaria assumir riscos, suportar consequências...
Eu tentei de tudo, não queria olhar pra trás depois e pensar como muitos, que não tive forças para lutar e que escolhi um caminho fácil.
Queria ter certeza de ter feito a melhor escolha.
A redução de estômago para mim, foi como resgatar uma vida que já não existia.
Foi a corda atirada no fundo de um poço sem saída, que me fez emergir para um mundo novo.
Para uma vida de verdade, cheia de prazeres e sabores.
Se antes eu subsistia, hoje eu vivo plenamente.
Se antes eu era discriminada, hoje eu sou respeitada, e este respeito parte primeiro de mim.
Hoje eu sinto orgulho de mim, antes de esperar que qualquer outra pessoa sinta!
Eu aprendi a me amar, e sem a menor pretensão eu me admiro.
Admiro a pessoa que sou, a pessoa que me tornei.
Fui uma pedra bruta, mas hoje me sinto completamente lapidada.
Esta que vocês conhecem é minha melhor versão. A versão definitiva.
Mas não tenho de forma alguma, reservas quanto à novas reciclagens, à novas mudanças...
Estou aberta a tudo o que possa me proporcionar crescimento.
Hoje sou feliz...
E de brinde... Eu visto o que  quero, física e emocionalmente!! :)

Ps... Para as meninas que perguntaram sobre a publicação do meu livro. Optei por uma editora independente, ou seja, não tenho patrocínio, tudo está sendo custeado por mim! Ele será vendido em várias livrarias e também através do site da própria editora. Estamos trabalhando para que esteja disponível antes do natal!

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