Vamos ser francos? Na prática, como é a vida de um gastroplastizado?

19 fevereiro 2013


Gente esse post é somente por um motivo.
Quem vai operar precisa e tem o direito de saber em detalhes como é a vida de uma pessoa que passa pela redução de estômago! Acho isso muito justo, pois possibilita que a decisão seja tomada de forma consciente!
Quem me dera ter encontrado um texto assim no meu pré operatório!!!
Não teria tido tantas surpresas!!

E prometo gente, um dia fico em dia com todos vocês!!!
Visitas, retornos de comentários... Por enquanto não quero é deixar meus leitores à deriva, sei que há muitas pessoas que buscam informações aqui, (algumas me leem há mais de cinco anos!) não acho correto ficar um século sem atualizar!!

O meu primeiro médico, o que não quis me operar, me disse duas frases que nunca irei me esquecer, pode ser útil a vocês saberem disso, pois concordo com ele...
As frases são dele, as conclusões são minhas!


1- "Quanto maior o obeso, maiores são os riscos!" (a saúde já está toda deteriorada)
Então se você acha que precisa deixar chegar ao ponto de não sair mais da cama para decidir operar, está enganado!
Faça isso o quanto antes, desde que se encaixe no perfil, claro!!
Imc acima de 40, ou igual/maior que 35, se tiver doenças associadas à obesidade.
Resultados de exames que favoreçam o procedimento sem oferecer riscos maiores e um bom preparo psicológico. (Essa parte ainda não tem bisturi que opere!)

 2 - Não é a cirurgia que é de grande porte, o paciente é que é de grande porte!
Assim como uma cesariana é uma cirurgia de grande porte, ou a pancreatectomia à qual me sujeitei, ou uma histerectomia são procedimentos invasivos, a bariátrica também é, mas o que faz com que ela seja isso tudo de que falam, é o tamanho do paciente e o tamanho das complicações que ele pode oferecer e enfrentar.

Feitas estas colocações vou dizer o que muda na vida real, pois postagens floreadas e cheias de palavras bonitas, vocês vão encontrar muitas por aí, mas contos de fadas não são meu forte, desculpem-me se quebro as ilusões, gosto de contar a verdade. O lado bom e o ruim!!

O maior benefício é sem dúvida a diminuição obrigatória da quantidade de comida a ser ingerida.
Não adianta querer comer muito, não dá!! Pode ser a coisa mais gostosa do mundo e você pode até conseguir comer muito no decorrer de um dia, mas de uma vez, "em uma sentada",não vai!!!
Se forçar, se comer com os olhos, se quiser ser guloso.... VOMITA!!!
Você vai sentir fome sim, exceto no inicio, primeiro mês, período em que ainda confundimos fome com vontade de comer...
Passado este primeiro impacto, sente-se fome normalmente, eu pelo menos, sentia fome como se não tivesse operada, e é assim até hoje, se passo do horário de me alimentar, tenho até dor de cabeça!
Aí você me pergunta, "Mas Lu, se vou sentir fome, para que vou operar?" 
- Você eu não sei, mas eu operei para comer pouco e não para deixar de sentir fome! Meu médico nunca me disse que eu não sentiria fome, mas sim que me sentiria saciada com pouca comida!!
Foi o que aconteceu!!
Se hoje você come 3 pães por exemplo, comerá meio no início e quando tiver como eu, uns dois anos ou mais de cirurgia, comerá um inteiro sem problema algum. 
Ninguém precisa comer 3 pães, mas nosso estômago relaxado não sabe disso.

O prazer de comer não acaba, isso é "caraminhola" que colocam na sua cabeça!!!
Eu como de tudo o que gosto, a diferença é que meu paladar hoje é mais apurado!
Agora sei exatamente qual é o sabor de uma cenourinha baroa, ou de um bife, ou de um bombom. Antes "matava na língua e engolia"nem o sabor sentia!
Hoje mastigo, aprecio, sinto sabores e texturas, me alimentar é muito mais do que simplesmente comer!!! Se isso é não sentir prazer, nem quero saber o que é!
Não existem alimentos proibidos para um gastroplastizado, existem alimentos que seu organismo não reconhece mais da mesma forma. Eu particularmente não tenho esse alimento em minha lista. Sinto um leve enjoo quando coloco creme de leite nas receitas, alimentos gordurosos me deixam meio estranha... 

É o famoso dumping, mas nada que me desestruture, evito e pronto!
Isso se chama bom senso!

Existem também aqueles alimentos que é melhor que sejam mesmo evitados ou consumidos com moderação, porém  é como deve ser para qualquer pessoa normal, (sem estômago reduzido) pois fazem engordar.

A cirurgia é uma reeducação alimentar forçada, cabe pouco, mas o estômago logo se esvazia e cabe de novo outro pouco, então se comer toda hora, vai engordar, ou  nem mesmo chegar a emagrecer (conheço algumas pessoas que jamais atingiram a meta). 
Como em qualquer RA, é preciso ter disciplina, força de vontade e comprometimento!
Então se você não está disposto a mudar já digo logo. Não opere!!!
É perda de tempo,de dinheiro, bobagem mesmo!!
Para não mudar, fique como está, vai te poupar anestesia geral, anestesia na coluna, picadas, remédios, repouso e muitas coisinhas mais!!! 
Gastroplastizado rebelde = Gastroplastizado mal sucedido.
Inconvenientes? 
Claro que existem vários!!
Se comer além do limite tolerado pelo estômago vai vomitar, se não mastigar direito, vai entalar!
Entalo é quando a comida para no meio do caminho, não desce nem volta, e isso dói, dói muito! Você começa a salivar, o estômago revira e não passa enquanto não vomita, porém, as vezes dói tanto, que nós mesmos provocamos os vômitos para nos livrarmos logo do desconforto!
O único jeito de evitar essa situação muito nojenta, é comendo devagar e mastigando muito bem.
Meu doutor me falou na primeira consulta... "Quem não tem bons dentes, não pode fazer esta cirurgia!"

Não é preciso dizer mais nada né?

Outro inconveniente é a água. Tomar água passa a não ser como é agora (antes de operar) não conseguimos tomar golões, como, um copo cheio em quatro goladas por exemplo!!
Pelo menos no início!
Única coisa de que sinto falta da minha vidinha de antes!
Tem que beber devagar, água também causa entalo e é um dos piores!!
No começo eu bebericava a água o dia todo, em uma garrafinha, hoje já consigo tomar muito melhor, é questão de se acostumar.
Bebo 3 litros por dia, devagarinho, mais do que muita gente que não operou.

É isso, a cirurgia salvou minha vida, mas eu sempre estive aberta às mudanças que sabia que iriam acontecer.
E às que aconteceram sem aviso prévio, me adaptei para conviver com elas da melhor forma!!
Jamais me arrependi e olha que tive algumas complicações!
Foi a melhor coisa que fiz na vida!!
Uma decisão séria, que deve mesmo ser tomada com muita lucidez!!


Bjos gente e até o próximo post programado!!!
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