Jamais quero me esquecer de onde eu vim!

08 junho 2015

Minha história com a obesidade, vem desde à infância.
Minha lembrança mais comum dessa época, é de uma menina gorda sofrendo deboches na escola.
Era a rainha dos apelidos maldosos.
Na adolescência o sofrimento se acentuou, pois foi nesta fase que senti de verdade a rejeição na pele.
Se a vida do obeso já é difícil, imaginem como isso se torna um pouco pior quando se vive em uma cidadezinha do interior...
Já na fase adulta e depois de muito tentar emagrecer e estabilizar o peso, acabei conhecendo as famosas anfetaminas e fazendo deste recurso, o meu melhor amigo.
Conseguia me manter magra por um tempo e logo que parava de tomar os medicamentos engordava tudo o que havia perdido, e em todas as vezes, alguns muitos quilos além!!!
Quando isso acontecia, novamente recorria ao veneninho amigo e isso virou literalmente, um círculo vicioso. E o vício foi além, pois as anfetaminas me tiravam o sono e para solucionar também este problema, comecei a intercalar o veneno, com fortes medicamentos para dormir...
A essa altura da minha vida a bagunça era geral... Muitas alterações de humor, comportamento agressivo, depressão....
Meu filho, criança inocente, foi privado de uma boa mãe durante um bom tempo por causa da obesidade.
Eu me sentia um zumbi.
Magra, mas dopada 24 horas por dia...
Foi no dia em que meu marido disse que estava cansado de ter uma esposa "noiada", que a ficha caiu...
Nunca bebi, nunca fumei, jamais me droguei e estava sendo comparada a uma drogada!!!
Mas não era mentira, aqueles medicamentos eram drogas fortíssimas e estavam acabando com a minha vida.
Não podia suportar mais aquilo, então jurei por mim mesma que nunca mais tomaria sequer um comprimido.
Adeus anfepramona e adeus Rivotril!
Foi difícil demais, pois meu organismo estava completamente dependente.
Mas não costumo voltar atrás nas minhas promessas.
Suportei...
Deste dia até o dia da minha cirurgia, foram menos de 3 anos, mas com 2 eu já estava gigante.
Lembro-me que no meu aniversário de 28 anos eu estava magra e no de 30, já não saía mais de casa devido à obesidade!!!
Eram quarenta e dois quilos e setecentos gramas, sobrecarregando meu corpo. Jamais gente, nem sequer por um dia da minha vida, consegui ser feliz gorda!
Há quem conviva melhor com o problema, mas este nunca foi o meu caso.
Ao olhar no espelho, não enxergava a mim, mas sim, a um corpo estranho, deformado, feio e gigante. A saúde comprometida por todos os lados...
Tinha uma única certeza, não voltaria a tomar aquelas porcarias, mas não conviveria com a gordura, preferia a morte! (e ainda prefiro)
A cirurgia salvou a minha vida, pois hoje, além de magra estou saudável e completamente lúcida! Além é claro, de muito feliz!!! Não tomo mais nada para emagrecer, me alimento de forma saudável e graças a Deus, o sono nunca mais me faltou.
Tenho vivido com qualidade, recuperando tudo o que a obesidade me tirou. Meu filho tem uma mãe presente, e meu marido nuca mais teve motivos para se queixar.
 Hoje tenho disposição e amo comemorar a vida!!! Comemoro a todo instante. Brindo à saúde, brindo à auto estima, brindo à oportunidade!!!! A obesidade é uma doença cruel, nos rouba a dignidade.
Mas ainda existem pessoas que acreditam que os obesos não revertem o quadro, por falta de vontade, por preguiça...
Quem nunca passou pelo problema, não faz ideia do que é conviver com o preconceito e com a discriminação, que na maioria das vezes, começa dentro de casa, pela  própria família e pessoas próximas.
Por não conhecerem a dimensão do sofrimento, acho que caberia ao menos o respeito.
Respeito à dor alheia!!!Boa semana, pessoal!!
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